O luto é um conjunto de sentimentos que surgem a partir da perda de um elo significativo entre o sujeito e o que foi perdido; luto não é doença. 

Quando se fala em luto, é importante ressaltar que não se trata somente da morte propriamente dita, mas o enfrentamento emocional tanto das mortes/perdas reais quanto das simbólicas, relacionadas a aspectos pessoais, familiares, profissionais e sociais. Quem já não esteve às voltas com o luto de uma separação ou a perda de um emprego, a perda de um ente querido, a perda de um amor, a expectativa de passar em uma prova que não deu certo, a mudança de cidade, são muitos os exemplos.

A experiência do luto

Fugir do sentimento que a perda causa uma tentativa frustrada de lidar com a dor, uma dificuldade de entrar em contato com o sofrimento. Quer dizer que precisamos fazer luto de tudo? É bem por aí. Existem lutos menores e outros maiores, mas todos acionam experiências muito antigas. É importante se despedir, e essa despedida tem um custo emocional. As vezes essa despedida interna dura um tempo maior. Mudanças impõe lutos, o luto do que foi deixado para trás.

Estar em processo de luto não significa estar deprimido, ao contrário, é poder lidar com a dor da perda e ressignificar. 

Ego esvaziado

O processo do luto ocorre para que haja uma elaboração, e, esse processo é lento e doloroso porque reativa experiências arcaicas do próprio desenvolvimento emocional.

A pessoa enlutada tende a se afastar de atividades corriqueiras, fica entristecida e há uma perda momentânea do interesse pelo mundo externo. O interesse fica focado no objeto perdido e há um grande desinteresse em tudo o que não seja a própria perda, há uma devoção pelo objeto perdido. Acorda-se e dorme-se pensando no que está morto ou perdido. Isso ocorre porque há um excesso de energia (catexia) nesse objeto que deixa o ego esvaziado.

Teste de realidade

A experiência de uma situação dolorosa coloca o ego a disposição dessa experiência afastando da realidade. É justamente a partir do teste de realidade, isto é, a constatação de que o que foi perdido não volta mais, que a libido começa a retornar a própria pessoa e novos investimentos começam a se tornar possíveis. Isto é, ao final do processo de luto o sujeito retornará o mais próximo possível do que era antes de passar pelo processo de luto, capaz de investir novamente em outras coisas, e com seu mundo interno menos fragmentado e mais integrado. 

O luto coloca a pessoa em contato direto com a tristeza e promove uma reforma no mundo interno, um desafio psíquico, que não tem como fugir e que cada sujeito precisará enfrentar.

E MAIS…

Morremos várias vezes em vida

O luto nos atravessa como seres humanos. A passagem da infância para a adolescência implica na perda e transformação de um corpo infantil para um outro corpo, assim como ocorre também no declínio das funções fisiológicas e cognitivas do processo individual de envelhecimento. Não tem jeito, há que se ver com isso!