O nome foi dado por um psicanalista nova-iorquino, o  Freudenberger. Ele sentiu um esgotamento profissional, nos anos 70, e deu o nome de BURNOUT. Podemos traduzir como burn out = queimar-se todo.

Mas isso não significa que esta síndrome venha apenas em relação ao trabalho. Qualquer sofrimento mental que ocupe a sua mente pode ser a causa. Ou o desgaste físico por falta de sono e cansaço acumulado. Daí o nome esgotamento.

A era moderna

Quase 24 horas ficamos “plugados” na internet, no WhatsApp, mas o  ser humano não foi programado para ficar atento tanto tempo. Necessita de momentos de silêncio, de recuperação, sono e paz para corpo e mente.

Precisamos de tempo de recuperação e descanso, e se não dermos o merecido descanso à mente e ao corpo, pagamos um alto preço.

Se seguirmos apenas a corrida dos ratos e sairmos correndo atrás do dinheiro, do querer só bater metas, ganhar mais, ter aquela promoção, podemos esquecer de um valioso bem: a nossa saúde.  Se não seguirmos nossa natureza, ela irá trazer o descanso à força em forma de dor de cabeça, doenças autoimunes, alergias etc.

Nossa natureza que nos comanda

Apreciar a jornada enquanto caminha é muito importante. Se vamos subir uma montanha para chegar ao topo, e ver lá de cima o por do sol, podemos apreciar a subida.  

Aquele slogan comum – o “no pain no gain” – ou, em português, que “sem dor (trabalho), sem ganho”, é coisa do passado. Podemos aprender a ganhar dinheiro e a ser mais felizes. Basta trabalhar com engajamento e prazer, basta ficar mais focado na jornada e em algo que dê mais prazer e com que tenhamos mais habilidades para trabalhar.

O grande vilão dos últimos tempos tem sido algo a que todos estamos sujeitos: o não se desligar, ficar preso na internet, no WhatsApp e em outros devices que o mantém “plugados” além da conta.

Ficar tempo demais só mexendo com tecnologias, com a carinha na tela do computador, ou no celular, tem desgastado a mente humana.

Quantas horas você gasta por dia em frente ao computador vendo e-mails? E no celular lendo e mandando suas mensagens? Dá para contar? Você nem imagina, mas parece que é tempo suficiente para você respirar fundo, dar uma volta, bater um papo com um amigo, almoçar fora…

Não podemos ficar correndo atrás de só termos um monte de coisas boas. Quantidade afeta a qualidade!

O que precisamos fazer, se quisermos ter uma vida mais feliz, é MENOS no lugar de mais.

Efeito dominó

Isso parece mais fácil de falar do que de fazer. Basta inserir as mudanças aos poucos. Pequenas mudanças podem afetar nossas vidas como um todo.

Lembre-se de que felicidade é contagiante e tem um efeito dominó. Então, por exemplo, voltando do trabalho, nada irá acontecer se você desligar seu celular por duas ou três horas enquanto está passando um tempo com seu parceiro(a) e filhos. Ao menos que você seja um motorista de ambulância ou esteja de plantão, sobreaviso. Tente desligar seu telefone por duas horas ou mais enquanto você passa um tempo com pessoas queridas. A menos que seja uma emergência, ou uma ligação que você esteja esperando. Mas, em via de regra, nada irá acontecer se você desligar seu telefone por um tempo. Muito pelo contrário, você estará muito mais feliz e essas horinhas poderão ser uma fonte de prazer, felicidade e uma forma de RECUPERAÇÃO.

Num estudo feito em Harvard por 75 anos, Dr. Robert Waldinger, um dos pesquisadores da universidade, acompanhou homens ao longo de suas vidas. Ele constatou que o fator previsor de boa saúde e longevidade, que estava relacionado à felicidade, nada tinha a ver com sucesso ou ter muito dinheiro. Mas, sim, com ter bons relacionamentos. Os homens que tiveram bons relacionamentos, suas companheiras ao longo da vida, bem como amigos sinceros foram os mais longevos.

A terceira coisa que precisamos fazer é: simplificar nossas vidas.

O mesmo acontece com o trabalho: precisamos simplificar. Reduzir as multitarefas.

Impacto da distração no QI

De acordo a pesquisa “The Impact of Distractions on IQ” – o impacto da distração no QI -, feita, em Londres, por um grupo de psiquiatras coordenados por Glen Wilson (2005), pessoas que verificam seus e-mails enquanto fazem outros trabalhos que requerem concentração perdem o equivalente a 10 pontos no teste de QI. É muito! Só para você ter uma noção do quanto é isso, digamos que você não tenha dormido a noite toda e que tenha ficado meio tonto, sem concentração – esse efeito é equivalente a menos 10 pontos no QI. Se você fumar maconha ou haxixe, você perderá 4 pontos de QI.

 Nós pagamos um preço muito alto por querermos fazer mais e mais em menos e menos tempo no trabalho também.

Vemos que a pessoa que sofre um esgotamento, o burnout, tem uma dedicação exagerada ao trabalho ou atividade profissional que está exercendo. Pode ser estudar para um concurso, vestibular, trabalhar noite e dia sem parar e até mesmo cuidar de um parente enfermo. É um desgaste.  O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho também leva ao quadro de esgotamento.

Muita gente mede sua própria autoestima pelo tanto que produz. Muito natural. O que não é natural é dar sua vida pelo trabalho – seja ajudando pessoas ou fazendo seu serviço profissional. A moeda final será sempre a mesma: desgaste pessoal, desânimo e, depois, depressão.

Desgaste emocional e físico

Assim, aquilo que em um primeiro momento parece maravilhoso e nos engana como se fosse gerar prazer ao fim da jornada, pelo contrário, acaba trazendo desgaste emocional e físico – e tudo fica pior no final. Muitos ficam com compulsão pelo trabalho ou por ajudar pessoas e se esquecem de que seu próprio cuidado é sua melhor poupança e benefício imediato.

O importante é curtir a jornada. Não só trabalhar, mas ter descanso, tempo de recuperação, aproveitar enquanto se faz alguma coisa e, ainda, seguir seu propósito de vida.

Infelizmente, vemos que essa patologia tem atingido pessoas de várias áreas com mais facilidade como as de saúde, segurança pública, bancária, educação, cartorária, tecnologia da informação, administração, comunicação, direito e até mesmo as que contemplam voluntários.

E MAIS…

Cuidado aos sintomas

Fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, muita falta de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, problemas digestivos e desânimo, podem ser sintomas da síndrome.

Se você tiver todos os sintomas citados acima e, principalmente, o último que envolve a falta de vontade de se levantar, peça ajuda.

Busque um médico porque, a essa altura, você provavelmente precisará de remédios que te ajudem a ter mais serotonina. Faça Yoga e a meditação. Duas boas alternativas para você recuperar de um quadro de esgotamento.

Quanto mais exercitamos a meditação, de acordo com estudos de neuro-imagem, mais nosso lobo pré-frontal esquerdo é ativado e mais calmos, focados e racionais ficamos. Quando estamos ansiosos ou deprimidos, o lado oposto do cérebro fica muito ativado, o lobo pré-frontal direito. Ou seja, quer ficar bem melhor e rápido? Comece a meditar! Ou faça Yoga, pois na Yoga sempre temos aquela hora das respirações e, no final, a hora da meditação. Quer o melhor? Faça os dois e, além disso, se dê mais tempo para bons relacionamentos e descanso!

Aprendemos que podemos recuperar da Síndrome de Burnout com uma nova visão de nós mesmos.

Lembre-se que a vida é curta para esperar pela aposentadoria, ou bater aquela meta, pagar aquele carrão que você inventou de comprar… Comece agora mesmo a mudar suas escolhas. Faça mudanças gradativas em pequenos passos.